SummerBits
Entrevista com os criadores do Animall
Submetido por EscolasLivres a Segunda, 11/09/2009 - 15:58.Boa tarde caro Tiago e Nuno, responsáveis pelo projecto do SAPO Summerbits animall, destinado a criar animações automáticas a partir de imagens e sons.
De onde surgiu a vossa ideia e a motivação para este projecto em particular?
A ideia surgiu uns meses antes do início do Summerbits, pelo Nuno. Já há um tempo que ele falava como poderia ser interessante ter uma alternativa livre ao Animoto. A ideia desenvolveu-se e ele sugeriu-me a participação no Summerbits, com o objectivo de fazer apenas o motor de animações, portável e modular, de forma a que fosse tão simples quanto possível o desenvolvimento de novos plugins. Decidimos escrever juntos a proposta e foi aí que tudo começou.
Querem descrever em linguagem o menos técnica possível, as tecnologias livres subjacentes a que recorreram e para que servem?
Vamos tentar ser o menos técnicos possível, o que se torna complicado, dada a natureza do projecto. Ora, antes de mais, a linguagem de programação escolhida foi o Python, para os que não conhecem, uma linguagem cada vez mais usada nas aplicações para os utilizadores de Desktop, dada a sua facilidade e rapidez de utilização. Usámos ainda o Gstreamer, que permite construir pipelines de trabalho multimédia. Isto pode ser visto como uma linha de fabrico que, na prática, permite dar na entrada os ficheiros com que queremos trabalhar, fazê-los passar por diversas secções que os alteram e configurar uma saída que produz o resultado final. Usámos por fim o GnonLin, plugin para o Gstreamer que permite criar vários pontos de entrada para a pipeline, de forma a que várias imagens sejam sequencialmente processadas, uma vez que por defeito o Gstreamer só poderia processar um ficheiro. São ainda usados ficheiros XML na configuração.
Que funcionalidades gostariam de ver implementadas a médio-longo prazo no vosso "Animall"?
A melhor evolução que poderíamos ver para o AnimAll, seria a resolução do problema que o Gstreamer ainda apresenta, passando assim a ter as transições a funcionar a 100%. A longo prazo, quem sabe, porque não ver um SAPO AnimAll, que usasse o nosso motor e uma interface web para criar animações, por exemplo, a partir do SAPO fotos, guardando-os directamente no SAPO vídeos, ou permitindo o download das mesmas.
Neste momento concordarão certamente que as funcionalidades são reduzidas. Mas, assumindo que o desenvolvimento continuará após o SAPO Summerbits, como esperamos que continue, se atingisse um elevado grau de maturidade/funcionalidades, julgam que junto do utilizador comum poderia colher alguma atenção face a serviços que disponibilizam estas funcionalidades online hoje em dia? Ou será que o motor é mais interessante do ponto de vista do programador e do programador que disponibiliza serviços na web?
Sem dúvida, o principal objectivo para o Summerbits era ter o motor a funcionar, não com o máximo de funcionalidades possíveis, mas com a melhor estrutura e organização possível. Embora ainda não tenha sido escrita documentação para tal, a criação de plugins é agora possível por qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento de python e, no caso de querer criar um plugin para a parte de edição de vídeo/audio, Gstreamer.
A meu ver, uma vez que é um motor de criação de animações, não é orientado ao utilizador final, mas sim para servir de suporte a outras aplicações, web, ou não, que criem uma interface de ligação para com o utilizador. Na prática, estas aplicações deverão apenas criar o ficheiro de configuração segundo os dados do utilizador, retornando depois o vídeo gerado ao utilizador.
Muito importante neste projecto foi ficar a saber o que se pode, e o que não se pode, com as tecnologias utilizadas. Este conhecimento é essencial para avançar com o projecto ou mesmo para criar um novo com o mesmo fim.
A nossa pergunta política habitual... Se fossem responsáveis pelo Plano Tecnológico português, a que iniciativas dariam prioridade?
Sem dúvida, à implementação de Software Livre nos serviços públicos. Os dinheiros gastos pelo Estado em licenças de Software anualmente são astronómicas, o que, a meu ver, e penso que em quase todos os casos, não se justifica, dada a vasta oferta de Software estável, simples e de elevada qualidade que estas comunidades nos trazem.
Acho também que todo o software produzido pela e para a administração pública deveria ser publicado como SL, não há justificação nenhuma para repetir gastos com o mesmo software, seja ele produzido por funcionários públicos ou encomendado com dinheiros públicos.
Outro ponto muito importante e sem dúvida prioritário é a a formação de recursos humanos em tecnologias livres. Acredito que a falta de formação e apoios nesta área não ajudam a diminuir a dependência externa em relação às TI. Mais conhecimento levaria à criação de mais emprego na área e, a meu ver, a uma diminuição da dependência externa.
Obrigado pelo vosso tempo.
Entrevista com os criadores do GeoDádivas
Submetido por EscolasLivres a Segunda, 11/09/2009 - 15:30.Boa tarde, caríssimos Ricardo e Juliano. O vosso projecto no SAPO Summerbits consistia num sistema de visualização em mapa das dádivas de sangue em Portugal.
De onde surgiu a ideia deste projecto e a motivação para o mesmo?
A partir de um trabalho na disciplina de Sistemas de Informação do Mestrado de Informática Médica da Universidade do Porto. Neste trabalho participaram outros dois colaboradores Jorge Leal (Técnico em Análises Laboratoriais, funcionário do Instituto Português de Sangue) e João Azevedo (Enfermeiro). Sob a orientação do Prof. Ricardo Correia, acabámos por formar uma equipa multidisciplinar que pode olhar um mesmo problema de diversos ângulos diferentes. A motivação propriamente dita, foi a de auxiliar o Instituto Português de Sangue, no planeamento e gestão dos postos de colecta móveis de sangue, como também no planeamento das suas campanhas de doações, através da visualização de informação em forma georeferenciada num software livre e gratuito. Já existe software que atenderia a essa necessidade no mercado, mas com custos altos.
Que funcionalidades destacam das actualmente disponíveis e quais os principais casos de utilização para o utilizador comum/pessoal médico?
Funcionalidades:
- Visualizar todas as doações de sangue em Portugal.
- Possibilidade de realizar filtros, a cada consulta de doações, por: data, localidade, tipos de resultados de análise clínicas, locais onde foram realizadas as colectas, tipos de grupos sanguíneos, sexo, faixa etária.
- Visualizar os postos de colecta. Também é possível realizar filtros nas consultas dos postos de colecta.
Casos de utilização:
- Equipa de gestão e planeamento dos postos de colecta móveis pode utilizar a ferramenta para visualizar, de forma geográfica, a posição de cada posto de colecta e as moradas dos seus respectivos doadores. Assim podem definir quais os pontos que foram bem escolhidos e quais os que precisam de ser reajustados.
- Consoante a necessidade dos bancos de sangue em relação a determinado grupo sanguíneo (A, AB, B, O), podem ser realizadas campanhas em determinadas áreas onde existe predominância de um determinado grupo sanguíneo.
- A comunidade científica pode utilizar a ferramenta para visualizar a distribuição geográfica de determinadas doenças identificadas pelas análises laboratoriais, em função da amostra dada, neste caso, os doadores de sangue.
Que funcionalidades prevêem implementar no futuro?
- Calcular as distâncias médias dos doadores até aos postos de colecta que visitam com mais frequência.
- Mostrar as ligações de um posto de colecta a todos os seus respectivos doadores.
- Calcular os melhores locais para os postos de colecta.
- Calcular quais as localidades e os dias melhores para realizar as colectas móveis de sangue.
Provavelmente existe informação médica hoje em dia que carece de visualização geográfica... lembram-se de alguns casos prioritários?
- Mapear casos de doenças infecto-contagiosas, como gripes, SIDA, Hepatite, etc.
- Mapear o trajecto e o tempo que os utentes levam até aos postos de atendimento, sejam Centros de Saúde, Centros de Reabilitação, Clínicas, Hospitais. Um médico, fisioterapeuta, ou qualquer outro profissional da saúde pode utilizar essa informação para ter uma visão mais ampla sobre a deslocação dos utentes.
5 milhões de euros nas vossas mãos para implementarem projectos na área das tecnologias livres, por onde começariam?
- Influenciar os docentes universitários na área da programação a promoverem o envolvimento dos seus alunos nos projectos já existentes.
- Acções de apresentação / educação sobre os modelos de negócio ligados ao OpenSource.
- Aquisição das licenças de software que nos seus domínios sejam Standards de facto, transformando-os em OpenSource. Na área da saúde propunha o sistema SONHO que foi desenvolvido no âmbito do Ministério da Saúde (IGIF) e que é usado por 90% dos hospitais públicos portugueses.
Obrigado pela vossa atenção.
Projectos Summerbits 2009
Submetido por EscolasLivres a Quarta, 07/29/2009 - 22:47.Já são conhecidos os projectos SAPO Summerbits aceites na 2ª Edição, 2009. Consultem a página:
http://softwarelivre.sapo.pt/projects/geral/wiki/FinalistasSummerbits2009
2ª Edição do SAPO Summerbits
Submetido por EscolasLivres a Quarta, 07/08/2009 - 18:00.O SAPO e a Associação Ensino Livre lançam hoje dia 8 de Julho o programa SAPO Summerbits. Neste programa são oferecidas bolsas a estudantes, de todos os graus de ensino ou proveniências (maiores de 18 anos e com vínculo a Escola/Universidade Portuguesa), para que contribuam para projectos de Software Livre, já existentes ou completamente novos. As ideias com maior impacto tecnológico e social serão financiadas com 2500€ ao longo de três meses.
Após o sucesso da 1ª Edição, continuamos com o objectivo de tornar o SAPO Summerbits num programa de referência no meio académico e junto das diversas comunidades de software livre que fervilham por todo o país, mostrando simultaneamente ao mundo toda a capacidade criativa dos nossos estudantes.
Na 2ª Edição serão financiados até 10 projectos. As candidaturas são feitas electronicamente pelos orientadores que vão acompanhar o aluno ao longo dos três meses e estarão abertas até dia 27 de Julho de 2009. Para mais informações visite a página oficial do projecto em summerbits.sapo.pt.
Entrevista com membros fundadores da Associação OpenID Portugal, envolvidos no projecto "Extensões OpenID" do SAPO Summerbits
Submetido por EscolasLivres a Segunda, 10/20/2008 - 19:34.Discutimos hoje os dois projectos relacionados com extensões para o OpenID, desenvolvidos no âmbito do SAPO Summerbits, o primeiro programa nacional de bolsas de apoio ao software livre, organizado pela Associação Ensino Livre e o SAPO. A entrevista é longa e interessante, mantenham-se connosco...
Boa tarde caríssimos Manuel Correia, Filipa Reis e Diana Almeida, e boa tarde também ao colaborador Luís Valente. São os mentores dos 2 projectos relacionados com o OpenID no âmbito do SAPO Summerbits. Antes de continuarmos a nossa entrevista, gostaríamos que explicassem aos nossos leitores em que consiste o OpenID e de que forma poderá vir a mudar hábitos estabelecidos na utilização da web...
Boa tarde,
Antes de mais, e para começar, consideramos que é importante explicar o conceito de "Identidade Digital" para depois estar em condições de explicar em que consiste o OpenID. O conceito de Identidade é muitas vezes descrito como a concepção que um sujeito tem de ele próprio, como uma entidade separada e distinta num determinado contexto. Esta entidade pode ser vista como um conjunto de características, agregadas ou não, definindo os atributos que a distinguem das demais entidades. Podemos portanto começar por definir "Identidade Digital" como uma forma de representar digitalmente os dados e características relacionados com um sujeito, sendo que este pode não ser necessariamente humano, como por exemplo, uma empresa ou uma máquina. De acrescentar que para além de conter dados ou características que descrevem de forma única um sujeito, uma identidade digital contém também informação sobre os relacionamentos desse sujeito com outras entidades, tal e qual como acontece no mundo real. Tal evidencia o comportamento natural do ser humano - o Homem cria, gere e escolhe perfis de identidade de acordo com um dado contexto social. Por isso, no mundo digital faz cada vez mais sentido a existência de sistemas de gestão de identidades digitais que ajudam o utilizador a gerir a sua identidade digital e os seus perfis de identidade no mundo online.
O OpenID é um protocolo descentralizado e simples para "Single Sign On" (SSO) e gestão de identidades digitais na Internet. Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma profunda mudança na forma como a Internet se tem enraizado ubiquamente na realidade do dia-a-dia dos cidadãos. Daqui resulta a necessidade acrescida de transitar de uma forma segura, simples e prática para a Internet, os processos burocráticos formais que foram sendo desenvolvidos ao longo dos séculos e que constituem um dos pilares fundamentais da sociedade tal qual a conhecemos. O OpenID surgiu como uma resposta simples e eficaz à problemática da gestão de identidades digitais, associada à vivência cada vez mais intensa que os cidadãos vão tendo na Internet. Este protocolo permite aos cibernautas autenticarem-se em diferentes sites, usando para o efeito uma identidade digital que eles próprios se podem encarregar de gerir. Elimina-se, assim, a necessidade de criar diferentes nomes de utilizadores e passwords para cada site, podendo passar a usar-se apenas um OpenID para todos os processos na Internet que requeiram um serviço de identidade.
Ao usar sites que permitam o "login" por meio do OpenID, os utilizadores apenas necessitam de se registar junto de um provedor de identidades apropriado, onde poderão ser eles próprios a gerir as características das identidades digitais com que se querem dar a conhecer na Internet. Como o serviço é completamente descentralizado, qualquer site pode usar o OpenID como forma de "sign-in". Os utilizadores são livres de escolher o provedor de identidades que melhor se adeqúe ao seu perfil de actividades na Internet, podendo mesmo mudar de provedor caso seja esse o seu desejo. O utilizador pode assim passar a ter muito mais confiança nos serviços e na gestão dos dados que constituem a sua identidade digital.
Actualmente estima-se que milhares de sites já aceitam OpenID e que existem milhões e milhões de identidades OpenID registadas em diversos provedores de identidades. A tendência é a de estes números continuarem a aumentar de uma forma exponencial, uma vez que os grandes "players" da Internet a nível mundial, como a Google, Sun Microsystems, IBM, Yahoo, Microsoft, AOL, entre outras já terem adoptado ou já terem anunciado a intenção de suportar identificação/autenticação por OpenID.
Como funciona o login com OpenID?
Um utilizador tem que se registar previamente num provedor de identidades OpenID por forma a obter um identificador OpenID e a definir diferentes "Identidades Parciais" ou "Personalidades" (personas) conforme assim o desejar. Quando este utilizador pretende autenticar-se num site que suporte OpenID (relaying party), este começa por apresentar um formulário que despoleta o processo de login. O utilizador introduz o seu identificador OpenID no formulário e o “relaying party” faz com que o browser do utilizador efectue um redireccionamento para o provedor de identidades relativo ao identificador que lhe foi fornecido pelo utilizador. O provedor de identidade pede então ao utilizador uma password e pergunta-lhe se ele confia nesse “relaying party” e se autoriza o envio das suas credenciais e detalhes de identidade que lhe estão a ser pedidas. Se o utilizador não aceitar ceder essa informação o browser do cliente é de novo redireccionado para o “relaying party” com uma mensagem indicando que a autenticação foi rejeitada, pelo que o site recusa também a autenticação e registo do utilizador. Se o utilizador aceitar ceder as suas informações o browser é redireccionado para uma página do “relaying party”, desta vez acompanhado de credenciais fornecidas pelo provedor de identidade. O relaying party verifica se essas credenciais tiveram origem no provedor de identidades e se isso se confirmar a autenticação OpenID é considerada bem sucedida e o utilizador é autenticado no web site do relaying party.
Actualmente quais as organizações responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia OpenID? Quais os temas principais que estão no momento a ser debatidos? Em Portugal já existe alguma entidade responsável pelo desenvolvimento e divulgação das tecnologias OpenID?
No momento actual a principal organização é a OpenID Foundation, cujo objectivo principal é o de promover e desenvolver tecnologias OpenID. Relativamente aos temas “quentes” que estão a ser activamente debatidos pela comunidade, temos que realçar:
- Extensão ao Protocolo OpenID providenciando aos sites consumidores de OpenID, mecanismos de autenticação que poderão ser utilizados pelo provedor de identidades para garantir a autenticidade dos utilizadores, permitindo por exemplo que o relaying party ou o utilizador exija que o processo de autenticação seja efectuado utilizando mecanismos resistentes a phishing e que esta seja “multi-factor”, podendo exigir, entre outros, a participação de tokens como smartcards e até de processos e mecanismos biométricos.
Em Portugal existe a Associação OpenID Portugal, da qual todos nós somos membros fundadores. A Associação OpenID Portugal é uma associação sem fins lucrativos membro da OIDF - OpenID Foundation e da OIDE - OpenID Europe Foundation, cuja principal missão consiste em divulgar e impulsionar a utilização das tecnologias e soluções OpenID em Portugal, promovendo o seu desenvolvimento e adopção como forma privilegiada para a construção de mecanismos de gestão de identidades centrados no utilizador. A associação OpenID Portugal tem como principais objectivos não só a promoção e divulgação das tecnologias OpenID na comunidade portuguesa, mas também a criação e a promoção de novas tecnologias que tirem partido do OpenID e que se traduzam em benefícios acrescidos para o dia-a-dia do cibernauta. Pretendemos simplificar toda a experiência OpenID, por forma a que os utilizadores se possam sentir mais confortáveis e seguros na sua utilização e encontrem soluções úteis para a sua interacção com a Internet e serviços online. É também nossa intenção desenvolver projectos que possam tirar partido desta tecnologia, envolvendo para o efeito a comunidade científica e académica Portuguesa.
Comecemos pelo projecto de integração do OpenID com o Cartão do Cidadão (e não só). Quais são os objectivos principais deste projecto?
O projecto EOID surge da oportunidade que existe em criar uma simbiose entre o novo cartão do Cidadão e a gestão de identidades digitais por parte do utilizador, por forma a potenciar uma autenticação mais segura no mundo virtual. Proporcionar a todos os internautas nacionais a possibilidade de navegarem e usufruírem de serviços na Internet de uma forma segura, fácil e ao alcance de qualquer um, através do cartão do cidadão conjuntamente com uma identidade digital OpenID – esta é a nossa motivação. Estamos portanto em condições de enumerar os principais objectivos destes projectos:
- Criação e promoção do servidor de identidades OpenID Portugal, por forma a poder fornecer uma identidade digital segura e confiável a todos os cidadãos que assim o queiram.
- Criação das extensões necessárias para que o processo de autenticação faça um uso efectivo e simbiótico de smart cards, nomeadamente o cartão de cidadão.
- Desenvolvimento de um cliente OpenID, sob a forma de plugin para o Firefox, que facilite o processo de autenticação nos diferentes sites que suportam OpenID.
Será realista a visão de que num futuro próximo um cidadão se possa identificar de forma unívoca com o seu OpenID em qualquer serviço online português? Para que isso venha a acontecer, consideram essencial que exista um provedor OpenID estatal confiável, compatível com o cartão do cidadão?
Relativamente à primeira questão consideramos importante que tal venha a acontecer. Naturalmente que a adesão por parte dos portugueses a este tipo de tecnologias será tanto maior quanto a sua divulgação e promoção. Esta foi uma das principais razões que nos levou a fundar a associação OpenID Portugal, para estarmos em condições de poder chegar a todos os portugueses e que todos possam ter a oportunidade de poder usufruir desta tecnologia.
Diana e Filipa: No entanto, e respondendo à segunda questão, consideramos que uma possível participação do Estado daria naturalmente outra dinâmica ao projecto, conferindo-lhe talvez um cariz mais confiável. A ideia do provedor estatal confiável é uma hipótese forte, no entanto há que considerar que provavelmente o papel do Estado Português como entidade única provedora de identidades não seria o ideal. Dizemos isto no sentido em que não só seria detentor do monopólio do mercado no âmbito de provedores de identidades em Portugal, mas também não permitiria que se usufruíssem de todos os benefícios que a dinâmica gerada por um mercado livre e concorrencial o permite: evolução das tecnologias, melhor qualidade de serviço, livre escolha, entre outras. Assim sendo, consideramos que o Estado deveria ter antes um papel de regulador ou então que atribuísse esse papel a uma entidade designada para o efeito. O objectivo seria o de regulamentar e acreditar os potenciais provedores de Identidades, permitindo assim que só os provedores que preenchessem determinados requisitos obtivessem uma licença para exercerem a sua actividade, elevando não só os níveis de qualidade dos serviços, mas também estimulando a dinâmica própria do mercado concorrencial, dando ao mesmo tempo força de lei a todos os processos burocráticos desencadeados online no contexto dessas identidades.
Luís: Julgo que não será estritamente necessária a existência de um provedor OpenID estatal confiável, compatível com o Cartão de Cidadão. A própria filosofia do OpenID é que o sistema seja livre, aberto e descentralizado, logo deveremos sim é promover o surgimento de provedores OpenID que utilizem mecanismos que lhe permitam garantir níveis de autenticação elevados. Poderemos se calhar assistir ao surgimento de provedores OpenID junto das Universidades o que já criará locais confiáveis e compatíveis. Neste momento a Fundação OpenID está a desenvolver tecnologia e protocolos que permitem automaticamente aos sites consumidores de OpenID a capacidade de escolherem o nível de segurança que desejam na autenticação dos utilizadores, pelo que devemos isso sim contribuir para a que a comunidade receba exemplos de provedores OpenID OpenSource que utilizem outros mecanismos para garantirem uma autenticação segura, como por exemplo o Cartão de Cidadão.
Manuel Correia: Uma vez que concordo com ambas as opiniões resta-me salientar a importância de manter o protocolo o mais aberto possível de modo a que se possa garantir a interoperabilidade entre os diferentes operadores. Acredito que quanto mais provedores credíveis, como ministérios, universidade, instituições bancárias, associações comerciais, etc... desejarem e estiverem em condições de actuar no mercado da identidade digital de uma maneira livre e aberta e em regime de “cooptição”, maior e melhor será o leque de serviços de identidade seguros e fiáveis que poderão ser oferecidos a todos os internautas. É a promoção deste tipo de ecossistema de provedores de identidade que constitui a principal linha orientadora para as actividades da associação portuguesa de OpenID.
Vamos imaginar um caso prático. Um indivíduo com cartão do cidadão e um OpenID atribuído, por exemplo, http://manuellopes.id.gov.pt visita um sítio web de uma Câmara Municipal compatível com OpenID no sentido de pedir uma certidão. Quais seriam os passos que o utilizador teria de seguir para se identificar perante a Câmara?
Do ponto de vista do utilizador, este apenas teria de se autenticar no seu provedor de identidade, o que corresponderia a um simples clicar no plugin Firefox desenvolvida para o efeito, digitar a sua password e introduzir o seu cartão do cidadão no leitor caso o utilizador opte ou a câmara requeira um esquema de autenticação mais forte. O provedor estabelecerá então uma comunicação segura (TLS/SSL) com exigência de apresentação e verificação de certificados de autenticação por parte do cliente. O processo de autenticação SSL com certificados exige a presença do cartão do cidadão no leitor de cartões e a correcta introdução do PIN associado ao certificado de autenticação do cartão. Se todos os dados foram inseridos correctamente o utilizador estará autenticado e poderá usufruir dos serviços prestados pelo website da Câmara Municipal. Todo este processo na prática significa que do lado do cliente está uma entidade que tem na sua posse o cartão do cidadão correspondente à identidade que consta no certificado que foi enviada ao servidor e que conhece o PIN de autenticação desse cartão. De acordo com a lei actual isso são condições suficientes de autenticação e de não repúdio equivalentes à presença física do cidadão portador desse cartão, para que a Câmara possa fornecer online de forma legal e segura todos os serviços que de outro modo requerem a presença física do portador desse cartão.Quanto ao fluxo protocolar associado ao processo de autenticação do OpenID, já tivemos a oportunidade de o sumariar anteriormente.
Que riscos de segurança poderá um cidadão incorrer ao usar um sistema deste género? Ou se quiserem, por outras palavras, como responderiam aos críticos do OpenID por causa de vulnerabilidades como "phishing" ou "man-in-the-middle"?
Relativamente ao "phishing", o desenvolvimento da plugin Firefox foi especialmente concebido para proporcionar ao utilizador um "link" directo aos serviços de gestão de identidades OpenID, evitando ou minimizando assim este tipo de ataque, que nos dias de hoje se têm tornado bastante frequentes.
Assistimos ainda ao surgimento de um número considerável de cartões de identificação pelo mundo fora que já fornecem aos seus utilizadores certificados digitais assinados por entidades credíveis e bem conhecidas. Neste contexto, começa a ser viável pensar em requerer que todos os mecanismos que necessitem de autenticação segura passem a exigir a apresentação de certificados X509 por parte do cliente, que sejam validados por uma infraestrutura PKI (pública e/ou privada) devidamente instalada e configurada no servidor que os requerer. A tecnologia existente fornece ao OpenID protecção contra estes dois tipos de ataques. Com efeito neste momento está em discussão e análise um documento na OIDF que irá dar resposta a estes tipos de situações: OpenID Provider Authentication Policy Extension 1.0 - Draft 5.
No entanto, o problema maior não passa pelos mecanismos de segurança que se possam vir a acrescentar ao OpenID ou à tecnologia em geral, mas passa fundamentalmente, isso sim, pela adequada formação dos internautas em termos de segurança. Do mesmo modo que nos dias de hoje necessitamos de ter uma carta de condução para andarmos na estrada com um veículo automóvel é nossa opinião que a médio prazo tal vai ter que acontecer com a posse e utilização de computadores ligados à Internet. Só com uma boa formação é que podemos evitar grande parte dos ataques de phishing e outras burlas e ataques à infra-estrutura que abundam na rede. Só com formação adequada e respectiva certificação podemos começar a pôr cobro ao crescimento exponencial que este tipo de ocorrências tem vindo a sofrer nos últimos anos. Necessitamos também de melhores interfaces de segurança para o utilizador, do qual o Firefox 3 constitui a nosso ver um grande avanço, ao dificultar de maneira óbvia e directa a aceitação de certificados SSL não válidos.
Ainda sobre segurança... é expectável que o Open ID possa no futuro vir a ser usado em aplicações críticas como comércio/banca online?
Consideramos que sim. Actualmente os bancos já usam mecanismos de autenticação como username, password, cartão matriz e até SMS. É portanto natural que queiram integrar nas suas aplicações outros sistemas alternativos de autenticação forte, como por exemplo o OpenID associado a um smart card, desde que estes cumpram os níveis de segurança definidos na [NIST_SP800-63] (Burr, W., Dodson, D., and W. Polk, Ed., “Electronic Authentication Guideline,” April 2006).
Em relação à extensão para Firefox em que também têm estado envolvidos... Querem-nos dar alguns exemplos de casos de utilização típicos? Isto é, imaginemos um utilizador intensivo de Firefox. De que forma as extensões poderão facilitar a utilização do OpenID (com e sem suporte para o cartão do cidadão)?
O objectivo principal do plugin é o de simplificar toda a experiência online que um serviço de gestão de identidades digitais pode proporcionar, evitando também os comuns ataques de "phishing". Actualmente este plugin apenas será responsável pelo processo de autenticação. A curto prazo esta funcionalidade irá ser expandida ao domínio da gestão de atributos e à criação e gestão dinâmica de novas identidades.
Um exemplo prático...
Um utilizador que já possui a sua identidade digital pretende simplificar a sua experiência online pelo que recorre ao uso do plugin. Após a sua instalação o utilizador apenas tem de indicar o seu URI de identidade, no nosso caso poderia ser algo como http://openid.dcc.fc.up.pt/user1, e a password. O estado indicado na barra do browser passaria de Offline para Online. O utilizador pode agora navegar pelos mais diversos sites que suportam OpenID sem necessitar mais de se autenticar. No caso de se querer autenticar usando também o cartão do cidadão deverá indica-lo no formulário de autenticação inicial, pelo que depois terá apenas de introduzir o seu cartão do cidadão no leitor e o PIN sempre que o plugin necessitar de estabelecer uma sessão com um dos provedores de identidade.
Futuramente...
Outras funcionalidades estarão disponíveis para serem controladas pelo plugin, como por exemplo a especificação dos atributos a serem usados em determinados sites. Por exemplo, o utilizador com o URI http://openid.dcc.fc.up.pt/user1 possui a seguinte lista de atributos: nome->Manuel, email->aluno@alunos.dcc.fc.up.pt, curso->MIERSI, que pretende assumir quando entra no site http://www.dcc.fc.up.pt. Tudo o que tem de fazer é digitar o URL do site num campo disponibilizado por um formulário da plugin e seleccionar aqueles 3 atributos que pretende assumir quando está online naquele site. Todos os outros atributos anexados à sua identidade digital não serão considerados.
Quais são as vossas expectativas relativamente à disseminação dos dois projectos? Nº de utilizadores, comunidade de desenvolvimento, etc. , . . .
Relativamente à disseminação dos dois projectos, as nossas expectativas são bastante elevadas, sentimos que os utilizadores web começam agora a interessar-se seriamente por mecanismos que permitam a gestão da sua identidade digital. Ao que não será de todo alheio as histórias de “horror” relacionadas com roubos de identidade e outros tipos de incidentes que se têm vindo a difundir pela comunicação social.
As comunidades de desenvolvimento estão a aumentar. Em Portugal já existe um grupo em manifesto crescimento de pessoas interessadas e a desenvolver projectos na área. Mais uma vez a função da Associação OpenID Portugal é primordial, devendo promover, divulgar e criar sinergias entre todos os projectos existentes de âmbito nacional e se possível internacional. O interesse também demonstrado por algumas entidades públicas e privadas em sistemas de gestão de identidades faz-nos querer que num muito curto espaço de tempo vamos assistir ao aparecimento de vários provedores de identidades, alguns dos quais utilizando tecnologia OpenID.
Saindo um pouco do âmbito do Summerbits, alguma sugestão que gostassem de dirigir aos responsáveis técnicos pelo cartão do cidadão e pelos portais que fazem uso do mesmo?
Gostaríamos de ter tido algum contacto durante o desenvolvimento do projecto, tal não o foi possível não porque não o tivéssemos tentado, mas pelo facto de os dados disponibilizados estarem desactualizados e ainda a incapacidade de se identificar as pessoas que seriam responsáveis por tal apoio. Consideramos também lamentável mais uma vez a falta de suporte dada ao software “open source”. A meio do projecto constatamos que houve uma mudança de versão do cartão, que o tornou incompatível com o software providenciando para plataformas que não a da Microsoft. Até agora ainda ninguém se deu ao trabalho de nos dar uma explicação ou de publicar uma versão nova do software de suporte para Linux e Mac que funcione com as novas versões do cartão do cidadão que têm vindo a ser emitidas nos últimos meses. Apenas constamos que a versão do software para windows vai na versão 1.20 enquanto a das outras plataformas se ficou pela 1.16. Esperamos sinceramente para bem da nação que a nota que se encontra no site oficial “Brevemente será também disponibilizada a versão 1.20 para os demais sistemas operativos”, se torne uma realidade efectiva o mais brevemente possível.
Por último, uma opinião sobre o SAPO Summerbits ...
Obrigado pelo apoio aos nossos projectos. O SAPO Summerbits possibilitou não só uma melhor estruturação do projecto EOID, mas também a sua divulgação. Não teríamos certamente conseguido alcançar o estado actual de desenvolvimento sem o apoio e incentivo que a vossa confiança em nós possibilitou. A organização do Summerbits está mesmo de parabéns pelo excelente trabalho efectuado! Que esta iniciativa se repita por muitos e bons anos. Até breve no Codebits!
E se pudéssemos partilhar rapidamente os nossos programas favoritos? O projecto KITSALINEX.
Submetido por EscolasLivres a Domingo, 10/19/2008 - 09:57.Discutimos hoje o projecto KITSALINEX, desenvolvido por Luís Rato e Paulo Cabido, contando ainda com o apoio de Pedro Salgueiro. O KITSALINEX é um dos projectos apoiado pelo SAPO Summerbits, o primeiro programa nacional de bolsas de apoio ao software livre, organizado pela Associação Ensino Livre e o SAPO.
O objectivo do KITSALINEX é o de facilitar a partilha dos programas instalados numa distribuição GNU/Linux Debian ou de base Debian (ex.: Alinex, Ubuntu). Imaginemos os seguintes casos: alguém deseja partilhar todas as aplicações que tem actualmente instaladas com outro utilizador; alguém deseja partilhar todas as suas aplicações favoritas de edição de áudio com outro utilizador; alguém pretende partilhar as aplicações educativas que considera mais interessantes para o seu filho, com um colega de trabalho; um professor deseja partilhar com os seus alunos todas as aplicações que serão necessárias durante um determinado curso; alguém pretende partilhar rapidamente com um amigo que tenha pouca experiência em GNU/Linux as mesmas ferramentas de escritório que utiliza; etc.
O projecto KITSALINEX propôs-se facilitar esta partilha criando dois programas distintos para manusear "kits" de aplicações. Um dos programas permite criar os "kits" e o outro permite a sua instalação. Para já, será apenas possível partilhar kits de aplicações entre utilizadores da mesma plataforma (por exemplo, um kit criado em Debian Lenny terá de ser instalado em Debian Lenny). Adicionalmente, mesmo entre plataformas equivalentes, os utilizadores devem possuir repositórios de software comuns. Estão previstas funcionalidades que permitirão o controlo de situações mais complexas. Note-se que o kit não inclui as aplicações em si, mas apenas a referência para as mesmas. Ou seja, o instalador de kits procurará descarregar as aplicações propriamente ditas da web.
O desenvolvimento decorre a bom ritmo. Abaixo apresentamos algumas capturas de ecrã que ilustram algumas das funcionalidades já implementadas, ainda em fase de estabilização.
A partilha dos kits pode ser feita localmente (por exemplo através de uma pen USB) ou na web (inclusivé, em repositórios de kits). Disponível em português e inglês, a infraestrutura está preparada para outros idiomas. No futuro, as aplicações deverão chegar aos repositórios oficiais do Alinex e, mais tarde, aos repositórios oficiais Debian.
Entrevista com os criadores da extensão OpenThesaurus para o OpenOffice
Submetido por EscolasLivres a Sábado, 10/18/2008 - 16:56.Continuamos a publicação de entrevistas com os participantes no projecto SAPO Summerbits, o primeiro programa nacional de bolsas de apoio ao software livre, organizado pela Associação Ensino Livre e o SAPO. Publicamos hoje a entrevista respeitante ao projecto OTOO, uma extensão que permite o acesso fácil ao dicionário de sinónimos, no OpenOffice.
Muito boa tarde, caríssimos Rui Fernandes e Joel Cordeiro. Estão envolvidos no desenvolvimento de uma extensão para o OpenOffice no âmbito do SAPO Summerbits. O OpenOffice dispensa apresentações, é a suite de produtividade de escritório livre mais conhecida em todo o mundo. A vossa extensão para o OpenOffice pretende fornecer a possibilidade de, além do corrector ortográfico de que já dispômos, termos também acesso a um dicionário de sinónimos em português baseado no OpenThesaurus à distância de um clique...
Boa tarde. Sim é verdade, tipicamente o utilizador comum que migra do Microsof Office para o OpenOffice tem um tempo de adaptação elevado, devido às ferramentas não estarem facilmente alcançáveis nem acessíveis. Um dos exemplos, é a funcionalidade do Thesaurus, cuja funcionalidade não está acessível. O que pretendemos é disponibilizar uma extensão para o OpenOffice que facilite ao utilizador o acesso ao thesaurus, adicionando no menu de contexto os sinónimos relativos a uma palavra seleccionada no texto, e substituí-la pela pretendida pelo utilizador. São estas pequenas funcionalidades que podem fazer com que a usabilidade do Open Office se aproxime da usabilidade do Microsoft Office, e assim atrair cada vez mais utilizadores para a suite de produtividade de escritório livre mais conhecida em todo o mundo.
Comecemos pelo OpenThesaurus. Querem-nos falar um pouco sobre este projecto e do seu estado actual de desenvolvimento?
O projecto OpenThesaurus, é um projecto OpenSource para a construção de um dicionário de sinónimos para a língua portuguesa, e nasceu da necessidade de existir um dicionário de sinónimos para o OpenOffice.org uma vez que os únicos existentes eram comerciais e destinados ao MS Office.
O OpenThesaurus, mais que um dicionário de sinónimos, é uma ferramenta online e colaborativa que permite que todos os utilizadores registados possam contribuir para o crescimento do actual dicionário, quer pela inserção de novos sinónimos, quer pela correcção dos actuais grupos de sinónimos existentes na base de dados.
Relativamente ao estado actual do OpenThesaurus, existem cerca de 13200 palavras que se encontram repartidas por 4000 grupos de sinónimos.
Por forma a incrementar a actual usabilidade da ferramenta foi desenvolvido no passado ano de 2007 durante o evento Codebits (também organizado pelo SAPO) um conjunto de web services que permitem a qualquer aplicação web usar o dicionário de sinónimos e até mesmo inserir novos termos.
Um dos objectivos secundários que podemos encontrar na vossa página do SAPO Summerbits é precisamente o de extender o OpenThesaurus (PT) usando informação já existente.. têm alguma novidade em relação a isso? Isto é, há esperança de dar um salto quantitativo e qualitativo no número de sinónimos já disponíveis no OpenThesaurus PT?
Relativamente à primeira questão, não foi possível obter novidades. Foram feitas algumas pesquisas pela internet, e não se encontrou nenhuma informação existente que pudesse facilitar essa tarefa. Uma das ferramentas que poderia facilitar bastante a geração de um thesaurus mais rico em vocabulário e sinónimos seria a existência de um WordNet (http://wordnet.princeton.edu/) para a língua portuguesa. Muito resumidamente, uma wordnet consiste numa base de dados lexical, que agrupa conjuntos de palavras sinónimas chamadas de synsets, disponibiliza simples definições, os vários contextos da palavra, e várias relações semânticas entre esses conjuntos de sinónimos. Por exemplo, existem vários sentidos para o conceito rato - rato acessório para o computador, ou rato como um animal, sendo que rato tem uma relação de hipónimo com animal. Sabemos que já começou a ser desenvolvida uma WordNet para a língua portuguesa, mais ainda se encontra em fase de desenvolvimento e prevê-se que seja proprietária do Instituto de Camões (http://www.instituto-camoes.pt/cvc/traduzir/wordnet.html).
Não tendo soluções que facilitem o enriquecimento do vocabulário e dos conjuntos de sinónimos do OpenThesaurus, estamos a pensar recorrer a outra ferramenta, google sets ( http://labs.google.com/sets). O google sets é uma ferramenta que dado alguns exemplos de palavras, consegue devolver um conjunto mais completo de palavras relacionadas (por exemplo, dado [banana, maçã], devolve-nos [maçã, banana, uva, laranja, abacaxi, manga] ). No contexto do thesaurus, imaginemos que lhe damos os exemplos [mansão, vivenda], o google sets retorna-nos, entre outras coisas, [mansão, vivenda, casa ].
A ideia relacionada com esta ferramenta seria, numa primeira fase, implementar um wrapper que acedesse ao google sets, dando como entrada os conjuntos de sinónimos do openthesaurus, e filtrasse o conjunto devolvido. Mediante os resultados obtidos, caso estes dessem a entender que uma ferramenta do estilo poderia enriquecer o openthesaurus, então seria de avançar para a implementação de um sistema semelhante ao google sets, mas com características específicas para a língua portuguesa (já recolhemos um conjunto de artigos relacionados com ferramentas do género, caso a ideia venha a avançar).
Num cenário optimista, apenas com o implementado na primeira fase já seria possível enriquecer o OpenThesaurus. Mas este trabalho tratar-se-ia de um trabalho com alguma investigação e com um tempo de duração previsto superior a 3 meses, pelo que não seria um objectivo concretizável no âmbito do SAPO Summerbits. Com alguma pena minha a ideia ainda não foi explorada com alguma profundidade, dado a prioridade para o summerbits ser a extensão para o openoffice, e esta ter levado mais tempo que o esperado.
Respondendo à segunda questão, sim acreditamos que esse salto quantitativo e qualitativo esteja próximo. A existência de uma wordnet para a língua portuguesa facilitaria bastante esse salto. Mas temos outras alternativas com vista à concretização desse objectivo, desde um simples conjugador de verbos automático, à implementação de ferramentas de extracção de informação da web. Dando um pequeno exemplo da informação que seria possível extrair da web, imaginemos a simples extracção de palavras que aparecem em redor do verbo "comer", nos documentos em português espalhados pela web (páginas web ou outros recursos): o resultado seria a obtenção de um grande conjunto de palavras relacionadas.
Muito bem... falemos então em concreto da extensão para o OpenOffice. Quando estiver completamente preparada, quais as funcionalidades em detalhe que a mesma proporcionará?
A ideia da extensão é facilitar a acessibilidade à funcionalidade de thesaurus no OpenOffice, cujo resultado será a integração dos sinónimos de uma palavra seleccionada pelo utilizador, directamente no menu de contexto do OpenOffice, e a sua substituição pelo respectivo sinónimo seleccionado pelo utilizador.
Existe já nos repositórios do OpenOffice uma extensão que permite a instalação, além dos dicionários de português, do conteúdo do OpenThesaurus-PT para o OpenOffice 3.0. De que forma é que um utilizador pode, sem a vossa extensão, aceder a este mesmo conteúdo?
De facto, a partir da versão 3.0 do OpenOffice.org, a instalação de dicionários de português de correcção ortográfica e do dicionário de sinónimos para a língua portuguesa é realizada através da instalação de uma extensão, o que se traduz numa amigável melhoria relativamente às versões anteriores do OpenOffice.org.
O acesso ao conteúdo desta extensão no OpenOffice.org é realizado, à semelhança das versões anteriores, da seguinte forma: no caso da correcção ortográfica, esta funcionalidade está disponível ao utilizador a partir do menu de contexto (botão direito do rato em cima de uma palavra); no caso do dicionário de sinónimos esta funcionalidade não existe sendo necessário aceder ao menu "ferramentas -> Idioma -> Dicionário de Sinónimos" para se proceder a uma alteração. A extensão que estamos a desenvolver neste projecto vai permitir, que o dicionário de sinónimos se encontre disponível ao utilizador também através do menu de contexto, à semelhança do que já acontece no Proofing Tools da Microsoft. Esta é uma das funcionalidades já pedida por diversos membros da comunidade.
Após terminarem o desenvolvimento, prevêem que a extensão venha a ser incorporada no OpenOffice por defeito?
Actualmente o objectivo principal é conseguir implementar a extensão de forma a que esteja funcional, e ter um período de testes para correcção de bugs que possam vir a ser detectados. A incorporação na aplicação OpenOffice ou no repositório de extensões do OpenOffice será um passo desejável, mas apenas poderá ser concretizado após a estabilidade da extensão.
Entrevista com os criadores da extensão OCR para o DSPACE
Submetido por EscolasLivres a Segunda, 10/13/2008 - 15:33.Continuamos a publicação de entrevistas com os participantes no projecto SAPO Summerbits, o primeiro programa nacional de bolsas de apoio ao software livre, organizado pela Associação Ensino Livre e o SAPO. Publicamos hoje a entrevista respeitante ao projecto OCR4DSPACE, uma extensão que integra motores de reconhecimento óptico de caracteres (acrónimo inglês, OCR) com o Dspace.
Caríssimos Luís Arriaga e Joaquim Rocha, estiveram por detrás do desenvolvimento de uma extensão para o DSPACE no âmbito do programa SAPO Summerbits. Estamos em crer que alguns dos nossos leitores estão familiarizados com o DSPACE. Contudo, para os que não estão, querem-nos falar um pouco sobre o mesmo?
O DSpace é um repositório digital open source para documentos desenvolvido pelo MIT e a HP. É desenvolvido em JAVA, nomeadamente JSP, e lançado sob os termos da licença BSD. Os documentos podem ser adicionados nos mais variados formatos e aquando da sua submissão podem ser adicionados atributos para facilitar a indexação e busca pelo motor de pesquisa. No caso de alguns formatos como o PDF ou o Doc, estes atributos podem ser automaticamente "extraídos" dos seus conteúdos. Também é muito flexível devido a permitir criar comunidades onde cada um pode ter o seu próprio portal, licenças para submissão dos documentos, permissões, etc. Isto torna o DSpace muito fácil de adaptar para várias instituições.
Em Portugal, têm ideia do número e tipo de instituições que usam a plataforma? Na Universidade de Évora, instituição a que estão ligados, o DSPACE também é usado?
O DSpace é amplamente usado em Universidades, Bibliotecas e Centros de Investigação por todo o mundo. No site oficial do DSpace existe uma lista com muitas instituições por país que o usam. Em Portugal sabemos que para além da Universidade de Évora, a Universidade do Minho, a Universidade de Coimbra e a FEUP também usam o DSpace.
Antes de passarmos ao projecto em si, gostaríamos de questioná-los sobre um pequeno aspecto da utilização do DSPACE. As instituições portuguesas que o usam, em particular as instituições de ensino, estão perfeitamente cientes da necessidade de armazenar a informação mediante normas abertas para assegurar a sua correcta preservação ao longo do tempo... ou nem por isso?
Gostaríamos de responder que sim; mas infelizmente a importância dos aspectos da preservação de dados e de controlo total do seu conteúdo, nomeadamente através da adesão a normas abertas, não está devidamente difundida; muitas instituições estão ainda alheias a todo este problema, preferindo a comodidade imediata dos formatos mais difundidos.
O vosso projecto consistiu na adição de suporte de reconhecimento óptico de caracteres (vulgo OCR) ao DSPACE. Portanto, imaginemos que alguém submete um documento de texto num formato de imagem PNG para o DSPACE. De que forma é que a extensão vai actuar sobre o documento e como/onde vai guardar a informação daí resultante?
Esta extensão vai permitir que o que já acontece para o caso de formatos como o PDF ou o Doc, onde o DSpace extrai os seus conteúdos e os indexa, aconteça para imagens. As imagens ainda são muito usadas como documentos de texto, isto é, ainda é muito vulgar a impressão, assinatura e digitalização de documentos como ofícios, despachos, cartas, etc. Se alguém adicionar este tipo de documentos no DSpace, é necessário a introdução das palavras-chave manualmente para ser possível uma posterior busca.
O que fizemos foi um media filter para automatizar esta tarefa. Um media filter capta automaticamente todos os ficheiros no repositório pelo seu formato/tipo e aplica as operações desejadas. Um script exterior executa todos os media filters configurados. Este script pode ser executado de X em X tempo. Assim, quando o documento de texto em formato PNG é submetido, o script é executado; o nosso filtro converte as imagens para o formato de input do motor ou motores de OCR usados e aplica-o a esses documentos. No final, as palavras obtidas são então indexadas. Note-se que existem motores open source muito bons como é o caso do Ocrad, GOCR ou Tesseract que podem ser usados neste sistema.
Podem usar-se um ou mais motores de OCR. No caso de vários serem usados, podem configurar-se regras para decisão de qual dos textos reconhecidos vai ser indexado. Antes das regras de decisão serem empregues, o desvio padrão é calculado para o número de palavras presentes em cada texto de cada motor. Se um dos textos não tiver o número de palavras dentro do desvio padrão, não é mais considerado a partir daqui. Isto é feito porque por vezes certos motores não reconhecem quase nenhuma palavra ou separam um palavra em várias, conforme a imagem em questão, e isto poderia depois influenciar a indexação. Também se podem configurar regras de limpeza, isto é, regras para remoção de palavras mal reconhecidas, palavras indesejadas, etc. através de expressões regulares.
Ainda na lógica do exemplo anterior, além dos metadados, isto é, da informação geral associada ao documento que será guardada no repositório, será possível depois da extensão instalada, efectuar pesquisa sobre o texto reconhecido?
Todo o texto reconhecido é "enviado" para indexação e é esse o objectivo deste projecto. Deste modo, todo o conteúdo deverá ser possível de pesquisar. O objectivo é que, por exemplo, um documento sobre software contendo as palavras Linux, Alinex, Windows, Office, etc. não necessite que estas sejam introduzidas manualmente pela pessoa que submeteu o documento pois serão consideradas para indexação.
Qual é o estado de desenvolvimento actual do projecto? Estão previstas funcionalidades no futuro?
O projecto está finalizado para as funcionalidades projectadas para o Summerbits. Como funcionalidades no futuro, seria de interesse introduzir ainda mais controlo nas configurações para além das regras de decisão e limpeza.
Por último, a vossa opinião sobre o SAPO Summerbits!
Penso que é um projecto exemplar para Portugal! Divulga o software livre e resulta em soluções nacionais provando que temos bom software bem feito, bons programadores e boas ideias. Gostaria de ver o programa continuar para os próximos anos e talvez outras empresas a juntarem-se ao SAPO e aos restantes associados do programa para fazer parte deste e dar-lhe ainda mais força.
Muito obrigado pela vossa disponibilidade, caríssimos Luís Arriaga e Joaquim Rocha.
Entrevista com os líderes do GLOBS - software para gerir glossários
Submetido por EscolasLivres a Sábado, 10/04/2008 - 15:27.Continuamos a publicação de entrevistas com os participantes no projecto SAPO Summerbits, o primeiro programa nacional de bolsas de apoio ao software livre, organizado pela Associação Ensino Livre e o SAPO. Publicamos hoje a entrevista respeitante ao programa GLOBS, software para gerir glossários totalmente livre.
Viva caríssimos Alberto Simões e Nuno Veloso. O GLOBS pretende ser uma ferramenta livre para gerir glossários? Querem-nos falar um pouco sobre as necessidades que existem hoje em dia a nível da gestão de terminologia? Seria interessante conhecermos alguns casos típicos de utilização...
O GLOBS pretende ser uma ferramenta livre para a edição colaborativa de glossários (ou terminologias).
Estes recursos são especialmente úteis para tradutores. A tradução de diferentes áreas de conhecimento obrigam a que os tradutores saibam como traduzir a terminologia específica de cada uma destas áreas. Como isso é impossível (existem demasiadas áreas de conhecimento), os tradutores usam terminologias e glossários.
Um exemplo típico é a tradução do termo "Computer Graphics" que, como sabemos, é traduzido por "Computação Gráfica". No entanto esta é uma tradução completamente errada (sabemos que a computação não é gráfica). Mas o termo cristalizou-se e agora é aceite incondicionalmente por toda a comunidade. São estas as palavras típicas para constar numa terminologia.
Para além dos tradutores, qualquer outro utilizador pode tirar partido destes recursos, já que podem funcionar como dicionários comuns.
Daí o interesse em manter o Globs a funcionar como um `agregador´ centralizado de terminologias. Apenas desta forma se poderá construir uma base de conhecimento de larga escala.
Existem soluções proprietárias semelhantes às que o GLOBS já fornece e vai fornecer? Se sim, quais são as vantagens do GLOBS face às mesmas?
Existem soluções proprietárias para a gestão de terminologia, com algumas semelhanças às oferecidas pelo GLOBS. As soluções proprietárias são essencialmente mono-utilizadores, e as que suportam alguma edição colaborativa obrigam a que exista um servidor centralizado, e um conjunto de clientes, todos com aplicações proprietárias. Ou seja, é necessário instalar software proprietário no computador de trabalho do tradutor, o que leva a que seja necessário pagar mais licenças, e usar um sistema operativo também proprietário.
A solução GLOBS, por ser baseada em Web tem a vantagem de que qualquer utilizador pode aceder usando qualquer browser, aberto ou não, em qualquer sistema operativo.
O registo é completamente gratuito pelo que qualquer pessoa (estudante, profissional ou casual) poderá colaborar e ajudar a completar terminologias.
Outra vantagem reside na simplicidade da aplicação. A interface foi pensada para integrar perfeitamente nas características das Web 2.0. De facto, uma aplicação stand-alone peca pelos demasiados menus e áreas de trabalho sobrecarregadas e monótonas. Neste caso existe uma interface pensada para quem passa muitas horas em frente à aplicação, assim como um fluxo de acções lógicas e menus nos sítios certos, sendo que não aparecem onde não são necessários.
As ferramentas de importação e exportação que serão desenvolvidas sobre a plataforma GLOBS permitirá que um utilizador que o pretenda usar possa reaproveitar as suas terminologias criadas num sistema proprietário, e vice-versa.
Imaginemos que faço parte de uma equipa de tradução de um grande projecto internacional como é o caso do Openoffice.org ou ainda do navegador web Firefox. O GLOBS servirá a minha equipa?
A tradução de material técnico obriga a uma grande consistência na tradução de termos técnicos. Uma simples tradução de "save" pode ser feita como "salvar" ou "guardar". Se existir uma terminologia partilhada com termos usados habitualmente em UIs, toda a equipa pode consultar e realizar traduções consistentes.
Quais são as perspectivas de vir a reunir uma comunidade de utilizadores/programadores em torno do GLOBS?
A ideia por trás do GLOBS surgiu com aulas de Licenciatura a cursos de letras sobre o uso de ferramentas de tradução. Poucos são os alunos que têm a sorte de poder ingressar num gabinete de tradução com fundos para angariar as ferramentas de tradução proprietárias. Deste modo, é nossa convicção que os alunos que se dediquem à tradução freelance possam vir a usar o GLOBS profissionalmente.
Em relação a programadores/colaboradores de código somos um pouco mais cépticos. Embora a ferramenta nos pareça útil e relevante, não nos parece existir uma grande comunidade interessada em integrar novas funcionalidades neste tipo de software. A necessidade do funcionamento da framework Drupal pode pesar para a redução de possíveis programadores/colaboradores.
Mas claro, esperamos estar enganados.
Quando poderemos contar com a primeira versão funcional?
A versão que já disponibilizamos on-line está funcional, embora com algumas limitações. Dada a origem do GLOBS (trabalho prático semestral de uma licenciatura) preferiu-se dar prioridade à construção de um serviço com cabeça, tronco e membros, onde se conseguisse ver o ciclo de vida de um glossário. Para isso esqueceram-se alguns detalhes, que embora relevantes, foram deixados para serem implementados após a conclusão do semestre. Estes detalhes estão neste momento a ser implementados e permitirão uma maior flexibilidade na definição de glossários.
Pelas indicações que constam da página do projecto, parecem ter vários objectivos a longo prazo em termos de funcionalidades. Querem partilhar connosco as vossas prioridades?
Neste momento as prioridades do GLOBS são as que obrigam à re-estruturação da base de dados: a definição de estruturas de glossários, independentes entre glossários, e com campos específicos, criados pelo utilizador do glossário.
Após essa tarefa, pretende-se ligar o GLOBS ao mundo exterior, com a criação de importadores e exportadores de diferentes formatos, desde os formatos usados pelas ferramentas proprietárias, até ao
uso de alguns standards actualmente em desenvolvimento para a partilha de terminologias.
Por último, a pergunta habitual: qual a vossa opinião sobre o SAPO Summerbits?
Com o tamanho do Google Summer of Code é quase impossível que pequenos projectos que possam contribuir para a comunidade portuguesa sejam aceites. Com o SAPO Summberbits é possível colmatar essa lacuna. Claro que como ano pioneiro surgiram alguns problemas, mas a equipa por trás desta iniciativa mostrou-se bastante flexivel e ultrapassou esses obstáculos sem problemas.
Entrevista com os líderes do PTPOS - software livre para pontos de venda
Submetido por EscolasLivres a Sexta, 09/19/2008 - 13:47.Os participantes do projecto SAPO Summerbits, o primeiro programa nacional de bolsas de apoio ao software livre, organizado pela Associação Ensino Livre e o SAPO, aceitaram a proposta de uma entrevista pública. Publicamos hoje a primeira dessas entrevistas respeitante ao programa PTPOS, software para pontos de venda, totalmente livre e adaptado à realidade portuguesa.
Olá Miguel Costa e Sérgio Neves. O projecto PTPOS pretende criar o primeiro software para ponto de venda totalmente livre e em português, correcto?
Como é habitual no mundo do software livre, existem outros projectos livres, com tradução portuguesa, que podem ser usados como pontos de venda. O objectivo deste projecto é disponibilizar um ponto de venda livre, em português, cumprindo a lei e práticas contabilísticas portuguesas, que possa ser rápida e facilmente instalado em qualquer sistema operativo por qualquer PME portuguesa. Considerámos que o OpenbravoPOS é o projecto que mais se aproxima destas condições, com uma comunidade de suporte e desenvolvimento activa.
Vamos imaginar duas situações em particular: uma pequena empresa familiar com um ponto de venda e uma empresa de média dimensão, digamos, com 10 pontos de venda em pontos distintos do país. Conseguem-nos dar uma ideia dos custos a que estão sujeitos estas empresas se recorrerem a software comercial?
Bom, gostaríamos de notar que o custo não deve ser, no nosso entender, o principal factor de escolha entre software livre e proprietário. O custo baixo é apenas uma consequência da concorrência que a ausência de vendor lock-in permite. O ponto fundamental é a liberdade. Quanto a custos, temos conhecimento de casos de mil euros por ano por posto apenas em licenciamento, mas não foi feito um estudo de mercado nesta área.
Existe algum tipo de condicionantes com a utilização de software comercial para pontos de venda além do custo?
Para além do custo (que se manifesta no pagamento periódico de licenças de utilização), o software proprietário é, tipicamente, mais difícil de integrar com outros sistemas.
Quando poderemos contar com o PTPOS totalmente funcional?
Estamos a apontar para meados de Outubro.
Já existem potenciais interessados para a vossa solução?
Sim.
A longo prazo, como está a ser pensada a articulação com o OPENBRAVO, produto no qual se baseia o PTPOS? Considerando também que serão possíveis alterações ao formato SAFT-PT, exigido pelo Ministério das Finanças e não só, já pensaram como vai ser feita a manutenção do software a longo prazo? Provavelmente, estas perguntas vão na direccção das expectativas que vocês têm em relação ao desenvolvimento de uma comunidade em torno do PTPOS...
O projecto está pensado como "branch" do OpenbravoPOS, para que seja possível manter as componentes específicas do ptPOS sem perder a dinâmica da comunidade que está a desenvolver o OpenbravoPOS. Idealmente, as funcionalidades do ptPOS serão mais cedo ou mais tarde integradas no OpenbravoPOS.
Se vos passassem para a mão recursos ilimitados, quais seriam as prioridades no desenvolvimento de software livre?
A criação de uma rede de especialistas nas ferramentas livres mais utilizadas que permita dar suporte e garantia a empresas e instituições, para que essas mesmas empresas e instituições não tenham receio em adoptar soluções de software livre. Para a maior parte dos decisores, não chega o suporte da comunidade, é necessário saber quem assume a responsabilidade.
Por último, uma opinião sobre a influência que o SAPO Summerbits pode ter a nível do ensino e do software livre em Portugal... a longo prazo, claro.
Um aspecto muito importante já está a ser a familiarização de estudantes com as ferramentas de desenvolvimento mais usadas no desenvolvimento (distribuído) de software livre. A transferência deste know-how tanto para as insituições de ensino onde os estudantes se encontram como para as empresas onde os estudantes virão a trabalhar permitirá sem dúvida agilizar o desenvolvimento de software em Portugal. Naturalmente, o mesmo acontecerá com a sensibilidade para a utilização de software livre.
Miguel Costa (http://www.neoscopio.com) e Sérgio Neves (ISEP).
Participe nos projectos do programa nacional de apoio ao software livre SAPO Summerbits
Submetido por EscolasLivres a Terça, 08/05/2008 - 10:42.Os projectos aprovados no programa SAPO Summerbits organizado pelo SAPO e Associação Ensino Livre começam a surgir no repositório, abertos à participação de todos. Para os conhecer melhor visite as páginas respectivas, e se houver interesse porque não participar com sugestões desde o momento inicial de desenvolvimento?
- Braille Vox
Conversor óptico de caracteres Braille em números, símbolos e letras de alfabeto. - OCR no DSpace
Suporte OCR ao DSpace - Extensoes OpenID
Extensão às políticas de autenticação OpenID - Atrad
Sistema de garantia de qualidade de traduções - Globs
Gestor cooperativo de glossários e terminologia - OpenThesaurus OO
Suporte OpenThesaurus OpenOffice - Gestão de KITs Alinex
Gestão de Kits Alinex - ptPOS
Adaptação do software openbravoPOS à realidade Portuguesa. - m2installer
Meta-meta installer with rollback support
As listas de discussão podem ser consultadas no endereço http://listas.softwarelivre.sapo.pt/
Projectos seleccionados para o programa SAPO Summerbits
Submetido por EscolasLivres a Terça, 07/22/2008 - 16:47.Antes de mais a equipa SAPO Summerbits deseja expressar publicamente o seu mais profundo agrado pela receptividade deste projecto junto de todos vós. Gostaríamos ainda de agradecer o trabalho de todos os que se candidataram ao programa. Os curriculum vitae dos candidatos são invejáveis assim como as ideias submetidas. Foram recebidas 25 candidaturas e o que conquistaram com este esforço é uma ou mais reedições do SAPO Summerbits, quem sabe até com novidades interessantes.
Várias entidades disponíveis para acolher alunos no âmbito do programa SAPO Summerbits
Submetido por EscolasLivres a Quarta, 07/16/2008 - 16:44.Várias entidades/indivíduos estão à procura de alunos para o programa SAPO Summerbits
Se és um aluno entusiasmado por programação, dá uma espreitadela às regras do programa e investiga as ideias que têm para te oferecer:
http://softwarelivre.sapo.pt/geral/wiki/SummerbitsOrientadores2008
Se não te agradarem, podes sempre sugerir as tuas próprias ideias.
Escola Secundária Artística Soares dos Reis procura alunos para o programa SAPO Summerbits
Submetido por EscolasLivres a Segunda, 07/14/2008 - 15:52.Estão disponíveis as propostas para o SAPO Summerbits da E.S.A. Soares dos Reis no portal http://amadeu.essr.net, opção "Sapo Summerbits" no menú à esquerda.
Os tópicos das propostas são:
1. Desenvolvimento de um módulo de exportação de dados para o Ministério da Educação
2. Desenvolvimento de duas interfaces Web para um sistema tipo POS
3. Gestão de impressão em rede
Comunicado de Imprensa: "SAPO ganha asas com o programa Summerbits"
Submetido por EscolasLivres a Terça, 07/08/2008 - 17:04.O SAPO e a Associação Ensino Livre lançam hoje dia 8 de Julho o programa SAPO Summerbits. Neste programa são oferecidas bolsas a estudantes, de todos os graus de ensino ou proveniências (maiores de 18 anos e com vínculo a Escola/Universidade Portuguesa), para que desenvolvam código para projectos de Software Livre, já existentes ou completamente novos. As ideias com maior impacto tecnológico e social serão financiadas com 2500€ ao longo de três meses.
A ambição do SAPO Summerbits é, acima de tudo, o de se tornar um programa de referência no meio académico e junto das diversas comunidades de software livre que fervilham por todo o país, mostrando simultaneamente ao mundo toda a capacidade criativa dos nossos estudantes.
Na 1ª Edição serão financiados até 10 projectos. As candidaturas são feitas electronicamente pelos orientadores que vão acompanhar o aluno ao longo dos três meses e estarão abertas até dia 19 de Julho de 2008. Para mais informações visite a página oficial do projecto.
A Organização,
Associação Ensino Livre
SAPO
Com o apoio,
Associação Nacional de Software Livre.







